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Disfunção na tireóide pode trazer complicações

A Tireóide é uma glândula no pescoço que produz os hormônios essenciais para o funcionamento do organismo. Muitos sofrem desse mal e muitas vezes nem sabe que tem.

16/08/2012 15:56:08 - Atualizado em 16/08/2012 16:03:02
Ana Acordi /Profª orientadora Marli Vitali (SC0903JP)

A glândula possui cerca de cinco centímetros de diâmetro. As disfunções da tireóide podem acontecer em qualquer idade, desde o nascimento até a velhice.

“Cada doença da tireóide tem sua prevalência particular, mas em se tratando de hipo e hipertireoidismo, a prevalência média na população é de 12 a 15% no caso do hipotireoidismo, e de 4,5 a 7,3% no caso de hipertireoidismo, fazendo dos distúrbios da tireoide uma doença bastante comum na população”, ressalta o endocrinologista Rafael Reinehr.

Segundo o especialista, alguns estudos demonstram que existe um aumento na incidência das doenças da tireóide com a idade, estando em torno de 5% por volta de 35 anos e chegando a 20% em torno dos 70 anos.

Entrevista:

Qual a diferença entre hipertireoidismo e hipotireoidismo?

Rafael Reinehr: O hipertireoidismo é a disfunção na qual a tireóide trabalha de forma exagerada, produzindo uma quantidade excessiva de hormônio da tireóide. Os casos mais comuns são os primários, quando a própria tireóide é a causadora do excesso hormonal, mas também existem casos de hipertireoidismo secundário e terciário, mais raros e difíceis de diagnosticar e tratar. No caso dos hipertireoidismos primários, aqueles que surgem em função de um distúrbio na glândula tireóide, isso pode se dar por um aumento global na produção de hormônio, quando então chamamos isso de Doença de Graves ou por um problema localizado, um nódulo que esteja produzindo hormônio em excesso. A isso chamamos de bócio uninodular tóxico ou Doença de Plummer. Quando vários nódulos estão causando alteração hormonal, chamamos isso de bócio multinodular tóxico. No hipotireoidismo, por sua vez, a tireóide passa a trabalhar menos do que deveria. Novamente, ele se divide em hipotireoidismo primário, quando o problema é na tireóide, secundário, quando o defeito está na hipófise, ou terciário, quando está no hipotálamo ou "acima" da hipófise nos eixos hormonais que regulam a função da tireóide. De longe, o hipotireoidismo primário é o mais comum, e acontece, na maior parte das vezes, em consequência do que chamamos de Tireoidite de Hashimoto, que é quando as defesas do nosso organismo "se voltam contra" a tireóide, e alguns anticorpos a invadem e destroem parte da glândula, reduzindo seu funcionamento. Nestes casos, precisamos repor o hormônio da tireóide através de uma medicação, a levotiroxina sódica, em grande parte das vezes de forma continuada, por toda vida.

Quais são as causas e os sintomas?

Rafael: Entre as causas conhecidas uma das únicas realmente confirmadas é uma predisposição genética, ou seja, tem chance aumentada de desenvolver um distúrbio da tireóide quem tem algum familiar com a doença. Além disso, carência ou excesso de iodo podem também causar disfunção. A carência é praticamente inexistente pois atualmente o iodo é suplementado no sal de cozinha, e o excesso ocorre raramente, com o uso repetido de contrastes iodados, uso de comprimidos a base de algas marinhas, amiodarona ou uso de xaropes à base de iodo. Os principais sintomas da tireoide são: Hipotireoidismo: Depressão, desaceleração dos batimentos cardíacos, intestino preso, menstruação irregular, diminuição da memória, cansaço excessivo, dores musculares, sonolência excessiva, pele seca, queda de cabelo, ganho de peso, aumento do colesterol no sangue. Hipertireoidismo: Aceleração dos batimentos cardíacos acima de 100 por minuto (chamada taquicardia), irregularidade no ritmo cardíaco, principalmente em pacientes com mais de 60 anos, nervosismo, ansiedade e irritação; mãos trêmulas e sudoreicas, intolerância a temperaturas quentes e probabilidade de aumento da sudorese, queda de cabelo e/ou fraqueza do couro cabeludo; rápido crescimento das unhas, com tendência à descamação das mesmas; fraqueza nos músculos, especialmente nos braços e coxas; intestino solto; perda de peso importante; alterações no período menstrual; aumento da probabilidade de aborto; olhar fixo; protusão dos olhos, com ou sem visão dupla (em pacientes com a Doença de Graves); acelerada perda de cálcio dos ossos com aumento do risco de osteoporose e fraturas.

A doença pode ser detectada ao nascer?

Rafael: Sim, quando existente. O teste do pezinho é o exame que detecta alterações na tireóide já no nascimento. Depois se confirma a alteração com um exame de sangue. O que o teste do pezinho (e nenhum exame até agora) não consegue detectar é se aquela pessoa vai ou não desenvolver uma doença na tireóide no futuro.

Pode adquirir a doença ao longo do tempo? Quem nunca teve, pode surgir, e por quê? Tem algo a ver com a alimentação?

Rafael: Sim, a doença geralmente se desenvolver com o passar do tempo. Como a base da maior parte dos casos é imunológica, ou seja, causada por uma alteração do sistema de anticorpos do nosso organismo, que ataca a tireóide, não se sabe exatamente quais são os fatores desencadeantes. Supõe-se que algumas infecção virais (gripes, resfriados) e também o estresse possam estar entre alguns fatores desencadeantes. Isso tudo, entretanto, ainda permanece em pesquisa e necessita confirmação. Não existem evidências científicas que a alimentação em geral possa causar distúrbios da tireóide.

O que é o hipotireoidismo congênito?

Rafael: O hipotireoidismo congênito é aquele que acompanha a criança desde seu nascimento. Ele deve ser diagnosticado e tratado com a máxima brevidade, pois cada semana ou mesmo cada dia sem tratamento pode levar a lesões neurológicas irreversíveis, impedindo a criança - e depois o adulto - de conseguirem falar e mesmo ter um desenvolvimento intelectual normal. Ele é detectado no exame do pezinho, o que torna este um exame fundamental para todos bebês recém-nascidos.

Se não for tratado, o que pode acontecer?

Rafael: Se as doenças da tireóide não forem tratadas, a pessoa começa a intensificar seus sintomas cada vez mais, piorando seu estado geral e podendo evoluir, dependendo do tempo sem tratamento, até a morte nos casos mais graves.

 




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